domingo, 21 de novembro de 2010

CRISTO, REI DO UNIVERSO

Cristo Rei.jpg



Evangelho:

 O povo estava a observar. Os príncipes dos sacerdotes com o povo O escarneciam dizendo: "Salvou os outros, salve-Se a Si mesmo, se é o Cristo, o escolhido de Deus!" 36 Também o insultavam os soldados que, aproximando-se dele e oferecendo-lhe vinagre, 37 diziam: "Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo!" 38 Estava também por cima de sua cabeça uma inscrição: "Este é o Rei dos judeus". 39 Um daqueles ladrões que estavam suspensos da cruz, blasfemava contra ele, dizendo: "Se és o Cristo, salva-Te a Ti mesmo e a nós" 40 O outro, porém, tomando a palavra, repreendia-o dizendo: "Nem tu temes a Deus, estando no mesmo suplício? 41 Quanto a nós se fez justiça, porque recebemos o castigo que mereciam nossas ações, mas Este não fez nenhum mal." 42 E dizia a Jesus: "Senhor, lembra-Te de mim, quando entrares no teu Reino!" 43 Jesus disse-lhe: "Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso." (Lc 23, 35-43).

Por direito de herança e de conquista, Cristo reina com autoridade absoluta sobre todas as criaturas. Entretanto, não governa segundo os métodos do mundo.


I - REI NO TEMPO E NA ETERNIDADE
Ao ouvirmos este Evangelho da Paixão, de imediato surge em nosso interior uma certa perplexidade: por que a Liturgia, para celebrar uma festa tão grandiosa como a de Cristo Rei, terá escolhido um texto todo ele feito de humilhação, blasfêmia e dor?
Tanto mais que, em extremo contraste com esse trecho de São Lucas, a segunda leitura de hoje nos apresenta Jesus Cristo como sendo "a imagem do Deus invisível, o Primogênito de toda a criação (...) porque foi do agrado do Pai que residisse n'Ele toda a plenitude" (Col 1, 15 e 19). Como conciliar esses dois textos, à primeira vista, tão contraditórios?
Para melhor compreendermos esse paradoxo, devemos distinguir entre o Reinado de Cristo nesta terra e o exercido por Ele na eternidade. No Céu, seu reino é de glória e soberania. Aqui, no tempo, ele é misterioso, humilde e pouco aparente, pelo fato de Jesus não querer fazer uso ostensivo do poder absoluto que tem sobre todas as coisas: "Foi-me dado todo o poder no Céu e na terra" (Mt 28, 18).
Apesar de as exterioridades nos causarem uma impressão enganosa, Ele é o Senhor Supremo dos mares e dos desertos, das plantas, dos animais, dos homens, dos anjos, de todos os seres criados e até dos criáveis. Porém, diante de Pilatos, assevera: "O meu Reino não é deste mundo" (Jo 18, 36), porque não quer manifestar seu império em todas as suas proporções, a não ser por ocasião do Juízo Final.
Assim, enquanto o Evangelho nos fala de seu Reinado terreno, a Epístola proclama o triunfo de sua glória eterna. No tempo, vemo-Lo exangue, pregado na Cruz entre dois ladrões, sendo escarnecido pelos príncipes dos sacerdotes e pelo povo, insultado pelos soldados e objeto das blasfêmias do mau ladrão. A Liturgia exige de nós um esforço de fé para, indo além do fracasso e da humilhação, crermos na grandiosidade do Reino de Jesus.
Por outro lado, errôneo seria imaginar que Ele não deve reinar aqui na terra. Para comp reender bem o quanto Cristo é Rei, é preciso diferenciar seu modo de governar daquele empregado pelo mundo.
O governo humano, quando ateu, encontra sua força nas armas, no dinheiro e nos homens. Tem por finalidade as grandes conquistas territoriais, perdurar longamente e alcançar a felicidade terrena. Porém, o tempo sempre demonstra o quanto esses objetivos são ilusórios e até mentirosos. As armas em certo momento caem ao solo, ou se voltam contra o próprio governante; o dinheiro é por vezes um bom vassalo mas sempre um mau senhor; os homens, quando não assistidos pela graça, neles não se pode confiar.
Napoleão Bonaparte é um bom exemplo do vazio enganador no qual se fundamentam os Impérios neste mundo. Basta imaginá-lo proclamando seu fracasso do alto de um penhasco na ilha Santa Helena, durante o penoso exílio ao qual ficara reduzido. Em síntese, aplenitude da felicidade de um governador terreno é um sonho irrealizável. E ainda que ela fosse atingível, a nós caberia a frase do Evangelho: "Que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?" (Mc 8, 36)
II - A REALEZA ABSOLUTA DE CRISTO
A Realeza de Cristo é bem outra. Ele de fato é Rei do Universo e, de maneira muito especial, de nossos corações. Ele possui uma autoridade absoluta sobre todas as criaturas e já muito antes de sua Encarnação, quando se encontrava no seio do Padre Eterno, ouviu estas palavras:
"Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede- me; dar-te-ei por herança todas as nações; tu possuirás os confins do mundo, tu governarás com cetro de ferro" (Sl 2, 7-9).
Rei por direito de herança
Ele é o unigênito Filho de Deus e por Este foi constituído como herdeiro universal, recebendo o poder sobre toda a criação, no mesmo dia em que foi engendrado (1).
Rei por ser Homem-Deus
Por outro lado, Jesus Cristo é Deus e, assim sendo, tudo foi feito por ele, o Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. Senhor absoluto de toda existência, do Céu, da terra, do sol, das estrelas, das tempestades, das bonanças. Seu poder é capaz de acalmar as mais terríveis ferocidades dos animais bravios e as procelas dos mares encapelados. Os acontecimentos, as forças físicas e morais, a guerra e a paz, a pobreza e a fartura, a humilhação e a glória, o revés e o sucesso, as pestes, os flagelos, a doença e a saúde, a morte e a vida, estão todos ao dispor de um simples ato de sua vontade. Aí está um Governo incomparável, superior a qualquer imaginação, e do qual ninguém ou nada poderá se subtrair.
O título de Rei Lhe cabe mais apropriadamente do que às outras duas Pessoas da Trindade Santíssima, por ser o Homem-Deus, conforme comenta Santo Agostinho: "Apesar de que o Filho é Deus e o Pai é Deus e não são mais que um só Deus, e se o perguntássemos ao Espírito Santo, Ele nos responderia que também o é...; entretanto, as Sagradas Escrituras costumam chamar de rei, ao Filho" (2).
De fato, o título de Rei, quando aplicado ao Pai, é usado de forma alegórica para indicar seu domínio supremo. E se quisermos atribuí-lo ao Espírito Santo, faltará exatidão jurídica, por tratar-se Ele de Deus não-encarnado, pois, para ser Rei dos homens é indispensável ser Homem. Deus não encarnado é Senhor, Deus feito homem é o Rei.
Rei por direito de conquista
Jesus Cristo é nosso Rei também por direito de conquista, por nos ter resgatado da escravidão a Satanás.
Ao adquirirmos um objeto às custas de nosso dinheiro, ele nos pertence por direito. Mais ainda se o obtivermos através de duras penas, pelos esforços de nosso trabalho, e muito mais, se for conseguido pelo alto preço de nosso sangue. E não fomos nós comprados pelo trabalho, sofrimentos e pela própria morte de Nosso Senhor Jesus Cristo? É São Paulo quem nos assevera: "Porque fostes comprados por um grande preço!" (I Cor 6, 20).
Rei por aclamação
Cristo é nosso Rei por aclamação. Antes mesmo das purificadoras águas do Batismo serem derramadas sobre no ssa cabeça, nós O elegemos para ser o regente de nossos corações e de nossas almas, através dos lábios de nossos padrinhos. Por ocasião do Crisma e a cada Páscoa, de viva voz nós renovamos essa eleição, sempre de um modo solene.
Rei do interior dos homens e de todas as exterioridades
Não houve, nem jamais haverá um só monarca dotado da capacidade de governar o interior dos homens, além de bem conduzi-los na harmonia de suas relações sociais, seus empreendimentos, etc. O único Rei pleníssimo de todos os poderes é Cristo Jesus.

Exteriormente, pelo seu insuperável e arrebatador exemplo - além de suas máximas, revelações e conselhos - Ele governa os povos de todos os tempos, tendo marcado profundamente a História com sua Vida, Paixão, Morte e Ressurreição. Por meio do Evangelho e sobretudo ao erigir a Santa Igreja, Mestra infalível da verdade teológica e moral, Jesus perpetuaCristo Rei do Universo.JPGaté o fim dos tempos o imorredouro tesouro doutrinário da fé. Através dessa magna instituição Ele orienta, ampara e santifica todos os que nela ingressam, e vai em busca das ovelhas desgarradas.
Aqui precisamente se encontra o principal de seu governo neste mundo: o Reino Sobrenatural que é realizado, na sua essência, através da graça e da santidade.
Nosso Senhor Jesus Cristo enquanto a "videira verdadeira" é a causa da vitalidade dos ramos. A seiva que por eles circula, alimentando flores e frutos, tem sua origem n'Aquele Unigênito do Pai (Jo 15, 1-8). Ele é a Luz do Mundo (Jo 1, 9; 3, 19; 8, 12; 9, 5) para auxiliar e dar vida aos que dela quiserem se servir para evitar as trevas eternas. Jesus - segundo a leitura de hoje - é "a cabeça do corpo que é a Igreja, é o Princípio, o Primogênito entre os mortos, de maneira que tem a primazia em todas as coisas, porque foi do agrado do Pai que residisse n'Ele toda a plenitude e que por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, pacificando pelo Sangue da sua Cruz, tanto as coisas da terra, como as do Céu" (Col 1, 18-20).
O Reinado de Cristo, em nosso interior, se estabelece pela participação na vida de Jesus Cristo. Só no Homem- Deus se encontra a plenitude da graça, enquanto essência, virtude, excelência e extensão de todos os seus efeitos. Os outros membros do Corpo Místico participam das graças que têm sua origem em Jesus, a cabeça que vivifica todo o organismo. Quem de maneira privilegiadíssima tem parte em grau de plenitude nessa mesma graça, é a Santíssima Virgem.
Dada a desordem estabelecida em nós após o pecado original, acrescida pelas nossas faltas atuais, nossa natureza necessita do auxílio sobrenatural para atingir a perfeição. Sem o sopro da graça, é impossível aceitar a Lei, obedecer aos preceitos morais, não elaborar razões falsas para justificar nossas más inclinações e conhecer, amar e praticar a boa doutrina de forma estável e progressiva. Ela refreia nossas paixões e as equilibra nos gonzos da santidade, orienta nosso espírito, modera nossa língua, tempera nosso apetite, purifica nosso olhar, gestos e costumes. É através da graça que nossa alma se transforma num verdadeiro trono e, ao mesmo tempo, cetro de Nosso Senhor Jesus Cristo. E é nessa paz e harmonia que se encontra nossa autêntica felicidade, e esse é o Reino de Cristo em nosso interior.
E qual o principal adversário contra esse Reino de Cristo sobre as almas? O pecado! Por isso mesmo, se alguém tem a desgraça de o cometer, nada fará de melhor do que procurar um confessionário e com arrependimento ali declará-lo a fim de ver-se livre da inimizade de Deus. É impossível gozar de alegria com a consciência atravessada pelo aguilhão de uma culpa. Nessa consciência não reinará Cristo; e se ela não se reconciliar com Deus, aqui na terra, tampouco reinará com Ele na glória eterna.
III - A IGREJA, MANIFESTAÇÃO SUPREMA DO REINADO DE CRISTO
O júbilo e às vezes até mesmo a emoção, penetram nossos co rações ao contemplarmos estas inflamadas palavras de São Paulo:"Cristo amou a Igreja e Se entregou a Si mesmo por ela, para a santificar, purificando-a no batismo da água pela Palavra, para apresentar a Si mesmo esta Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e imaculada" (Ef 5, 25-27).
Porém, ao analisarmos a Igreja militante, na qual hoje vivemos, com muita dor encontramos imperfeições - ou pior ainda, faltas veniais - nos mais justos, conferindo opacidade a essa glória mencionada por São Paulo. Entre as ardentes chamas do Purgatório, está a Igreja padecente, purificando-se de suas manchas. Até mesmo a triunfante possui suas lacunas, pois, exceção feita da Santíssima Virgem, as almas dos bem-aventurados foram para o Céu deixando seus corpos em estado de corrupção nesta terra, onde aguardam o grande dia da Ressurreição.
Portanto, a "Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e imaculada" , manifestação suprema da Realeza de Cristo, ainda não atingiu sua plenitude.
E quando definitivamente triunfará Cristo Rei? Só mesmo depois de derrotado seu último inimigo, ou seja, a morte! Pela desobediência de Adão, introduziram-se no mundo o pecado e a morte. Pelo seu Preciosíssimo Sangue Redentor, Cristo infunde nas almas sua graça divina e aí já se dá o triunfo sobre o pecado. Mas a morte será rendida com a Ressurreição no fim do mundo, conforme o próprio São Paulo nos ensina:
"Porque é necessário que Ele reine, ‘até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés'. Ora, o último inimigo a ser destruído será a morte; porque Deus ‘todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés' " (I Cor 15, 25- 26).
Cristo Rei, por força da Ressurreição que por Ele será operada, arrancará das garras da morte a humanidade inteira, como também iluminará os que purgam nas regiões sombrias. Ao retomarem seus respectivos corpos, as almas bem-aventuradas farão com que eles possuam sua glória; e assim, serão também os eleitos outros reis cheios de amor e gratidão ao Grande Rei. Apresentarse- á o Filho do Homem em pompa e majestade ao Pai, acompanhado de um numeroso séqüito de reis e rainhas, tendo escrito em seu manto: "Rei dos reis e Senhor dos senhores" (Apoc 19, 16)
IV - SE CRISTO É REI, MARIA É RAINHA
Se Cristo é Rei por ser Homem-Deus e recebeu o poder sobre toda a Criação no momento em que foi engendrado, daí se deduz ter sido realizada no puríssimo claustro maternal de Maria Virgem a excelsa cerimônia da unção régia que elevou Cristo ao trono de Rei natural de toda a humanidade. O Verbo assumiu de Maria Santíssima nossa humanidade, e assim adquiriu a condição jurídica necessária para ser chamado Rei, com toda a propriedade. Foi também nesse mesmo ato que Nossa Senhora passou a ser Rainha. Uma só solenidade nos trouxe um Rei e uma Rainha.
V - CONCLUSÃO
Agora sim, estamos aptos a entender e amar a fundo o significado do Evangelho de hoje. A resposta ao povo e aos príncipes dos sacerdotes que escaCristo Rei_3.jpgrneciam contra Jesus: "Salvou os outros, salve-Se a Si mesmo, se é o Cristo, o escolhido de Deus" (v. 35), como também aos próprios soldados romanos em seus insultos: "Se és o Cristo, salva-Te a Ti mesmo" (v. 37), transparece claramente nas premissas até aqui expostas.
Eles eram homens sem fé e desprovidos do amor a Deus, julgando os acontecimentos em função de seu egoísmo e por isso levados a se esquecerem de sua contingência. Cegos de Deus, já há muito afastados de sua inocência primeva, perderam a capacidade de discernir a verdadeira realidade existente por trás e por cima das aparências de derrota que revestiam o Rei eterno transpassado de dor sobre o madeiro, desprezado até pelas blasfêmias de um mau ladrão. Não mais se lembram dos portentosos milagres por Ele operados, nem sequer de suas palavras: "Julgas porventura que Eu não posso rogar a meu Pai e que poria já ao meu dispor mais de doze legiões de anjos?" (Mt 26, 53). Sim, se fosse de sua vontade, numa fração de segundo poderia reverter gloriosamente aquela situação e manifestar a onipotência de sua realeza, mas não o quis, como o fez em outras ocasiões: "Jesus, sabendo que O viriam arrebatar para O fazerem rei, retirou-se de novo, Ele só, para o monte" (Jo 6, 15).
Quem discerniu em sua substância a Realeza de Cristo foi o bom ladrão, por se ter deixado penetrar pela graça. Arrependido em extremo, aceitou compungido as penas que lhe eram infligidas, e reconhecendo a Inocência de Jesus no mais fundo de seu coração, proclamou os segredos de sua consciência para defendê-La das blasfêmias de todos: "Nem tu temes a Deus, estando no mesmo suplício? Quanto a nós se fez justiça, porque recebemos o castigo que mereciam nossas ações, mas Este não fez nenhum mal" (vv. 40-41). Eis a verdadeira retidão. Primeiro, humildemente ter dor dos pecados cometidos; em seguida, com resignação abraçar o castigo respectivo; por fim, vencendo o respeito humano, ostentar bem alto a bandeira de Cristo Rei e aí suplicar- Lhe: "Senhor, lembra-Te de mim, quando entrares no teu Reino!" (v. 42)
Tenhamos sempre bem presente que só pelos méritos infinitos da Paixão de Cristo e auxiliados pela poderosa mediação da Santíssima Virgem nos tornaremos dignos de entrar no Reino.
Seguindo os passos da conversão final do bom ladrão, poderemos esperar com confiança ouvir um dia a voz de Cristo Rei dizendo também a nós: "Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso" (v. 43).
1 ) cf. Hb 1, 2-5.
           2 ) Enarrat. in Ps. 5 n. 3: PL 37, 83

Eis uma solução eficaz para todas as crises atuais: a celebração solene da festa de Cristo Rei 
Assim se exprime o Papa Pio XI a esse respeito:
Cristo, fonte da verdadeira Paz
Se soubessem os homens resolver-se a reconhecer a autoridade de Cristo em sua vida particular e pública, deste ato para logo dimanariam em toda a humanidade incomparáveis benefícios: uma justa liberdade, a ordem e o sossego, a concórdia e a paz (...).
Se os príncipes e governos legitimamente constituídos tivessem a persuasão de que regem menos no próprio nome do que em nome e lugar do Rei Divino, é manifesto que usariam do seu poder com toda a prudência, com toda a sabedoria possíveis Em legislar e na aplicação das leis, como haveriam de atender ao bem comum e à dignidade humana de seus súditos! Então floresceria a ordem, então veríamos difundirem- se e firmarem-se a tranqüilidade e a paz (...).
Oh! que ventura não pudéramos gozar, se os indivíduos, se as famílias, se a sociedade se deixasse reger por Cristo! "Então finalmente - para citarmos as palavras que, há 25 anos, o Nosso Predecessor Leão XIII dirigia aos bispos do mundo inteiro - fora possível sanar tantas feridas; o direito recobraria seu antigo viço, seu prestígio de outras eras; tornaria a paz com todos os seus encantos. eCristo Rei_1.jpgcairiam das mãos armas e espadas, quando todos de bom grado aceitassem o império de Cristo, Lhe obedecessem, e toda língua proclamasse que Nosso Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Padre" (Enc Annum Sacrum) (...).
As festividades, mais eficazes que os documentos
A fim de que a sociedade cristã goze largamente de tão preciosas vantagens, e para sempre as conserve, é mister que se divulgue quanto possível o.conhecimento da dignidade real de Nosso Salvador Ora, nada pode, pelo que nos parece, conseguir melhor este resultado, do que a instituição de uma festa própria e especial em honra de Cristo Rei.
Com efeito, para instruir o povo nas verdades da fé e levá-lo assim às alegrias da vida eterna, mais eficazes que os documentos do Magistério eclesiástico são as festividades anuais dos sagrados mistérios. Os documentos do Magistério, de fato, apenas alcançam. um restrito número de espíritos mais cultos, ao passo que as festas atingem e nstruem a universalidade dos fiéis Os primeiros, por assim dizer, falam uma vez só, as segundas falam sem intermitência de ano para ano; os primeiros dirigem-se, sobretudo, ao entendimento; as segundas influem não só na inteligência, mas também no coração, quer dizer, no homem todo Composto de corpo e alma, precisa o homem dos incitamentos exteriores das festividades, para que, através da variedade e beleza dos sagrados ritos, recolha no ânimo a divina doutrina, e, transformando- em substância e sangue, tire dela novos progressos em sua vida espiritual.
Além disso, ensina-nos a própria História, que estas festividades litúrgicas foram introduzidas no decorrer dos séculos, umas após outras, para. responder a necessidades ou vantagens espirituais do povo cristão. Foram-se constituindo para fortalecer os ânimos em presença de algum inimigo comum, para premunir os espíritos contra os ardis da heresia, para mover e inflamar os corações a celebrar com a mais ardente piedade algum mistério de nossa fé ou algum benefício da divina graça (...) Assim se deu com a festa de Corpus Christi, instituída quando se esfriava a reverência e o culto para com o Santíssimo Sacramento.
Instituição da festa
A festa, doravante anual, de "Cristo-Rei" dá-nos a mais viva esperança de acelerarmos a tão desejada volta da humanidade a seu Salvador amantíssimo (...) Uma festa, anualmente celebrada por todos os povos em homenagem a Cristo-Rei, será sobremaneira eficaz para condenar e ressarcir, de algum modo, esta apostasia pública (...).
Portanto, em virtude de Nossa autoridade apostólica, instituímos a festa de "Nosso Senhor Jesus Cristo Rei", mandando que seja celebrada cada ano, no mundo inteiro, no último domingo de outubro (...) porque ele, em certo modo, encerra o ciclo do ano litúrgico. Destarte, os mistérios da vida de Jesus Cristo, comemorados no decorrer do ano que finda, terão na solenidade de "Cristo-Rei" seu como termo e coroa.


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

“Somos um pouco missionários. Isto é importante”, diz novo vice-comandante da Guarda Suíça


Roma (Sexta-feira, 12-11-2010, Gaudium Press) "Não devo só pedir o cumprimento das regras do serviço militar, mas também dar alguma coisa que os ajude a reforçar a própria fé. Vejo isto como um dos meus objetivos". É o que revela o novo vice-comandante da Guarda Suíça Vaticana, o Ten. Coronel Christoph Graf.

O oficial foi entrevistado pela correspondente de Gaudium Press em Roma, Anna Artymiak, durante a solenidade de São Martinho de Tours, celebrada pela Igreja no dia 11 de novembro. Na entrevista, o Ten. Coronel Graf fala sobre sua decisão de entrar para a Guarda Suíça, sobre sua fé, sobre a importância de trabalhar ao lado do Papa e seus desafios daqui para a frente na Guarda Pontifícia. Acompanhe:

Gaudium Press - Como o senhor decidiu entrar para o Corpo da Guarda Suíça Pontifícia?

Eu trabalhava nos Correios Suíços perto de casa e tinha já 25 anos. Um dia eu pensei: "Mas que vida é essa? Ir toda manhã para o trabalho e voltar de noite para casa pelos próximos 40 anos? Não posso continuar assim". Queria sair da rotina. Em Lucerna, onde antes trabalhei, havia visitado uma mostra sobre a Guarda Suíça Pontifícia. Peguei um panfleto informativo sobre o Corpo, li atentamente e logo pensei que poderia ser uma coisa adequada para mim, a partir do momento que para mim a fé sempre foi algo muito importante. Onde trabalhava era uma região predominantemente protestante: meu irmão e eu éramos os únicos católicos naquela agência postal e isto se percebia, mesmo que não de maneira forte. Decidi portanto apresentar uma requisição ao Comando dos Guardas Suíços. Pensava que seria uma escolha de vida muito empenhativa e sinceramente não pensava que teria sido chamado. E, contrariamente, me chamaram para ser guarda. Eu tive que esperar um ano antes de poder vir à Roma. Naquela época havia muitas requisições porque muitos queriam ser da Guarda Suíça. Finalmente, em 2 de março de 1987, cheguei em Roma.

GP - Como foram os primeiros dias?

Era tudo novo. Eu gostava de coisas novas e estava cheio de entusiasmo. Era, de fato, a primeira vez que ia ao exterior. Nunca tinha saído da nossa bela Suíça e foi também minha primeira experiência de viagem aérea. Quando cheguei em Roma, iniciamos logo com os treinos: foi uma verdadeira vida militar. Para mim não era uma novidade, tendo já prestado o serviço militar no meu país: isto, de fato, é um pré-requisito para poder entrar na guarda suíça. De manhã eram feitos os treinos, das 8 ao meio-dia e meia: primeiro com a alabarda e depois sem, e à tarde andávamos pelo Palácio Apostólico para conhecer os escritórios e as diversas pessoas. De noite se voltava com a cabeça cheia de nomes estrangeiros e estranhos. Pensei: "Minha mãe! Vai ser difícil conseguir entender e lembrar de tudo!" O início foi duro, mas devo dizer que eu o enfrentei com grande entusiasmo. E assim aprendemos bem o nosso trabalho.

GP - E o entusiasmo permaneceu por 23 anos.

No início se faz um período de dois anos e depois se avalia a situação. Gostei sempre de tudo, tudo ia bem. Devo dizer que encontrei logo um grande equilíbrio entre o serviço, o lazer e também, uma coisa importante, o tempo para se dedicar à fé. Aqui se pode ir à missa todos os dias, há missas de hora em hora. Na Suíça agora se deve procurar a missa, também no domingo. Também o ambiente do Vaticano me agradou muito. Diz-se que no Vaticano é possível perder a fé! Diz-se! Mas eu acho que devemos ser sempre realistas. A Igreja é feita de homens e os homens são frágeis e pecadores. Isto me fez entender que o Vaticano não é, como se pensa na Suíça, um lugar similar ao Paraíso, onde somente os Santos decidem. O Vaticano é um Estado composto por homens. Como são? Não toca a mim dizê-lo, mas posso dizer que aqui também há os santos.

GP - O que significa ser uma guarda suíça, estar assim próximo ao Papa, protegê-lo?

Creio que para nós suíços é motivo de orgulho. É uma tradição ser um Guarda Suíço. Há mais de 500 anos estamos aqui, escolhidos por Júlio II. Acredito que é estranho para um suíço, que fez um trabalho normal, poder tornar-se um guarda do Papa e estar tão perto do Sucessor de Pedro. Penso que só por isto uma pessoa deve ter muito orgulho. Eu ainda tenho e nunca perdi. Quando encontramos o Papa é sempre uma emoção, quando ele vem, quando está perto de nós. Não é um homem como os outros e fico sempre emocionado quando o vejo e o encontro.

GP - Os guardas suíços são privilegiadas pelo fato de terem a oportunidade de conhecer a pessoa do Papa de perto. Como é Bento XVI?

Não é assim como escrevem quase todos os jornais. É um homem muito humilde, que colocou toda a sua vida à disposição da Igreja, um verdadeiro servidor. Ele quer ser um servidor, ele é "o servidor". Como havia dito quando foi eleito: "simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor". É o que ele queria e não quer ser um Papa. Ele se vê como um servidor de todos.

GP - Agora o senhor foi destinado para novas funções. Quais são os deveres do Vice-Comandante do Corpo da Guarda Suíça Pontifícia?

O primeiro é ser o substituto do Comandante. Quando ele não está presente é o Vice-Comandante que deve tomar as decisões. Um dever preciso do Vice-Comandante é aquele de acompanhar o Santo Padre em todas as viagens. É para mim uma honra e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade! Depois virão os deveres decisivos.

GP - Além de ser um guarda suíço o senhor também é pai de dois filhos. É fácil conciliar o serviço com a vida familiar?

Uma desvantagem existe: infelizmente não se está tanto com a família e a família para mim é importante. Quando estou em casa, procuro distanciar-me do trabalho, há uma outra vida. Ao voltar para casa meus filhos correm para me abraçar e é muito bom estar em casa, especialmente na própria casa. Creio porém que da parte, não só de minha mulher, mas também de meus filhos, é necessário um pouco de sacrifício. Não digo que todas as mulheres pensem como as mulheres dos guardas. Falo em geral. Porque é um sacrifício. Estamos frequentemente no sábado e também no domingo em serviço. Na Páscoa trabalhamos, no Natal também. Há pouco tempo para viver um pouco as festas com a família. Se se fica por aqui, certamente se está trabalhando. É por isto que vejo que é um sacrifício também para a família. Mas, por outro lado, quando se quer bem e existe acordo e compreensão entre marido e mulher, os filhos crescem bem e são obedientes, se faz um trabalho com dever e paixão, é possível conciliar todas as duas coisas, família e trabalho.

GP - Quais são as maiores lembranças de seus 23 anos de serviço?

Uma coisa que não esquecerei jamais foi a morte de João Paulo II. Foram tantos anos com ele, quase 18. Pode-se dizer que foi como um Pai que foi embora. No fim de sua vida sofreu muitíssimo. Quando o víamos, quando lhe estávamos próximos em serviço, pensávamos: "Como sofre esse homem!". Depois, a eleição de Bento XVI foi uma coisa excepcional, como, aliás, todo o conclave: foi belo poder assistir pelo menos uma vez este acontecimento. Naturalmente também o Ano 2000, o Grande Jubileu. Viver o Jubileu. Houve tantos outros acontecimentos: a canonização de Padre Pio, a de Escrivá, o fundador da Opus Dei. Milhares, centenas de milhares de pessoas em Roma. Uma coisa nunca vista antes. Também aquelas foram coisa que me impressionaram muito. Mesmo que no fundo não tenha podido aproveitá-las em pleno porque estava trabalhando. Mas eu penso que sempre participei dos acontecimentos excepcionais! Depois também o nosso jubileu, 500 anos da Guarda Suíça Pontifícia. Foi um belo jubileu. O testemunho de que a Guarda faz parte da história da Igreja.

GP - O que espera o novo Vice-Comandante no início de seu trabalho?

O que eu espero? Espero permanecer sempre a mesma pessoa que era antes. Não considero importante somente o serviço. Penso que nós temos também uma missão. Estes jovens que vêm da Suíça, do ponto de vista da fé, não são muito assíduos e zelosos e por isso creio que talvez nosso dever é aquele de ajudá-los a descobrir de um lado a organização da Igreja e do outro a aprofundar a própria fé. Isso é uma bela coisa. Se alguém tem confiança no Senhor, consegue fazer tantas coisas... Também a confiança na Divina Providência. Estou certo que se alguém vive a sua fé, consegue fazer muito melhor o seu serviço como guarda. Se depois alguém quando volta para casa, consegue viver e vive a fé como se deveria, isto é, vai pelo menos no domingo à missa, creio que o nosso trabalho não foi só um trabalho, com um fim em si próprio. Somos um pouco missionários. Isto é importante. Não devo só pedir o cumprimento das regras do serviço militar, mas também dar alguma coisa que os ajude a reforçar a própria fé. Vejo isto como um dos meus objetivos. Certo, me aguardam diversos trabalhos. Mas acho importante procurar criar um bom clima: seria feliz se pudermos dizer que somos uma família que vive junta, que trabalha junto, que todos se sentem bem. Creio que esse seja também o meu dever. Não só meu, mas do Comandante também. Com a ajuda de Deus esperamos conseguir!



domingo, 7 de novembro de 2010

Vaticano anuncia cerimônias com o Santo Padre para os próximos três meses

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Cidade do Vaticano (Sexta-feira, 05-11-2010, Gaudium Press) O Escritório das Celebrações Litúrgicas vaticanas apresentou hoje o programa das cerimônias presididas por Bento XVI nos próximos três meses: novembro e dezembro de 2010 e janeiro de 2011. Entre as cerimônias usuais do calendário para esse período, no domingo, 12 de dezembro, o Santo Padre visitará a paróquia romana de São Maximiliano Kolbe.
Para novembro se espera o consistório com a criação de 24 novos cardeais, entre os quais Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida e presidente do CELAM. A criação compreende duas cerimônias: no sábado, dia 20 de novembro, o Consistório Ordinário Público com a imposição do barrete; e domingo, 21 de novembro, a Santa Missa com a entrega do anel cardinalício. Todas as duas cerimônias, presididas pelo Papa, acontecerão na Basílica vaticana. O próximo consistório será o terceiro de Bento XVI durante os cinco anos de seu pontificado.

Depois das Primeiras Vésperas do 1º Domingo do Advento, que este ano acontecem no dia 27 de novembro, o Santo Padre presidirá as cerimônias regulares do calendário litúrgico. Nos próximos três meses não está prevista nenhuma viagem na Itália ou ao exterior, mas no dia 12 dezembro Bento XVI irá em visita pastoral a uma paróquia romana, a paróquia de São Maximiliano Kolbe, no bairro de Prato Fiorito. A igreja foi novamente construída e, no ano passado, foi dedicada a seu patrono, mártir franciscano polonês do tempo da Segunda Guerra Mundial.

Além disso, no dia 8 de dezembro Bento XVI irá, conforme a tradição, pela solenidade da Imaculada Conceição da Beata Virgem Maria, venerar uma grande imagem de Nossa Senhora na Piazza Spagna, em Roma. No dia 16 presidirá as vésperas com os universitários dos Ateneus Romanos. Como no ano passado, também a próxima celebração da Santa Missa do Galo será antecipada de meia-noite para às 22H. No dia de Natal, o Papa, do balcão central da Basílica vaticana fará a tradicional benção " Urbi et Orbi" (à cidade e ao mundo) com os votos em diversas línguas.

No último dia do ano, o Santo Padre presidirá as Primeiras Vésperas com o solene canto do "Te Deum" em agradecimento pelo ano que passou. No novo ano, 2011, a primeira cerimônia com o Papa será a celebração eucarística na solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, no dia 1°, celebrado pela Igreja Católica como o Dia Mundial da Paz e no qual o Santo Padre dirige uma mensagem especial. Para 2011 o tema é "Liberdade religiosa, caminho para a paz".

Também já no próximo ano, no dia 9 de janeiro, Bento XVI batizará algumas crianças, filhos dos funcionários do Vaticano, por ocasião da Festa do Batismo do Senhor.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

SANTO ANTÔNIO DE SANT'ANA GALVÃO

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Sereno e dadivoso, sempre voltado para o bem dos outros, Frei Antônio de Sant'Ana Galvão é 
posto pelo Papa Bento XVI como modelo para os cristãos brasileiros.

Santo Antônio Galvão nasceu em 1739, em Guaratinguetá, no interior do estado de São Paulo, cidade que na Época pertencia a Diocese do Rio de Janeiro. Com a criação da diocese de São Paulo, em 1745, viveu praticamente nesta diocese: 1762-1822. O ambiente  familiar era profundamente religioso. Antônio viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, pois seus pais gozavam de prestigio  social  e influência política. O pai, querendo dar uma formação humana e cultural segundo suas possibilidades econômicas, o mandou, com a idade de 13 anos, para Belém (Bahia) a fim de estudar no seminário dos padres jesuítas. Ficou no colégio de 1752 a 1756, com notáveis progressos no estudo e na prática da vida cristã. Com o clima antijesuitico provocado pela atuação do marquês de Pombal, Antônio entrou para os Frades Menores Descalços da Reforma de São Pedro e Alcântara, em Taubaté, SP.
Aos 21 anos, no dia 15 de abril de 1760, Antonio ingressou no noviciado no convento de São Boaventura, na vila de Macacu, no Rio de Janeiro. Aos 16 de abril de 1761 fez a profissão solene e o juramento, segundo o uso dos franciscanos, de se empenhar na defesa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, doutrina aceita e defendida pela ordem franciscana.
Um ano depois da profissão religiosa, Frei Antonio foi admitido a ordenação sacerdotal, aos 11 de julho de 1762, no Rio de Janeiro. Depois de ordenado, foi mandado para o convento de São Francisco, em São Paulo, com o fim de aperfeiçoar os estudos de filosofia e teologia como também exercitar-se no apostolado. Sua maturidade espiritual franciscano-Mariana teve sua expressão máxima na "entrega a Maria" como seu "filho e escravo perpétuo", entrega assinada com o próprio sangue aos 9 de novembro de 1766.Terminados os estudos em 1768, foi nomeado pregador, confessor dos leigos e porteiro do convento. Foi confessor estimado e procurado, e, muitas vezes, quando era chamado ia a pé, mesmo aos lugares distantes.
Em 1769-70 foi designado confessor do Recolhimento de Santa Teresa, em São Paulo. Neste recolhimento, encontrou irmã Helena Maria do Espírito Santo, religiosa de profunda oração e grande penitência, que afirmava ter visões pelas quais Jesus lhe pedia para fundar um novo recolhimento. Frei Galvão, como confessor, ouviu e estudou tais mensagens e solicitou o parecer de pessoas sábias e esclarecidas, que reconheceram tais visões como válidas.
A data oficial da fundação do novo recolhimento é 2 de fevereiro de 1774. Irmã Helena queria modelar o recolhimento segundo a ordem carmelitana, mas o bispo de São Paulo, franciscano e intrépido defensor da Imaculada, quis que fosse segundo as concepcionistas aprovadas pelo Papa Júlio II, em 1511. A fundação passou a se chamar Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Previdência, e Frei Galvão, o fundador de uma instituição que continua até nossos dias. Aos 23 de fevereiro de 1775 morreu, quase imprevistamente, irmã Helena.
Frei Galvão encontrou-se como único sustentáculo das recolhidas, missão que exerceu com humildade e grande prudência. Pelo grande número de vocações, viu-se obrigado a aumentar o recolhimento. Durante quatorze anos (1774-1788), Frei Galvão cuidou da construção do recolhimento. Outros quatorze (1788-1802) dedicou á construção da Igreja, inaugurada aos 15 de agosto de 1802.A obra, "materialização do gênio e da santidade de Frei Galvão", em 1988, tornou-se por decisão da Unesco "patrimônio da Humanidade". Frei Galvão, além da construção e dos encargos especiais dentro e fora da ordem franciscana, deu muita atenção e o melhor de suas forcas á formação das recolhidas. Para elas escreveu um regulamento ou estatuto. Em 1929, o recolhimento tornou-se mosteiro, incorporado á ordem da Imaculada Conceição (concepcionistas).
Frei Galvão foi mandado para o exílio pelo capitão-general de São Paulo porque tomou a defesa do soldado Gaetaninho.A população, porém, se levantou contra a injustiça de tal ordem, que imediatamente foi revogada. Em 1781, o Servo de Deus foi nomeado mestre do noviciado de Macacu, Rio de Janeiro, pelos dotes pessoais, profunda vida espiritual e grande zelo apostólico. O bispo, porém, que o queria em São Paulo, não fez chegar a ele a carta do superior provincial, «para não privar seu bispado de tão virtuoso religioso (...) que desde que entrou na religião até o presente dia tem tido um procedimento exemplaríssimo pela qual razão o aclamam santo". Frei Galvão foi nomeado guardião do convento de São Francisco em São Paulo, em 1798, e reeleito em 1801.
A nomeação de guardião provocou desorientação nas recolhidas da Luz. A preocupação das religiosas é necessário acrescentar aquela do "Senado da Câmara de São Paulo" e do bispo da cidade, que escreveram ao provincial: "Todos os moradores desta Cidade não poderão suportar um só momento a ausência do dito religioso (...) Este homem, tão necessário às religiosas da Luz, é preciosíssimo a toda esta Cidade e Vilas da Capitania de 5. Paulo, é homem religiosíssimo e de prudente conselho: todos acodem a pedir -lho; é o homem da paz e da caridade". Graças a estas cartas, Frei Galvão tornou-se guardião, sem deixar a direção espiritual das recolhidas e do povo de São Paulo.
Em 1802, Frei Galvão recebeu o privilégio de definidor pela solicitação do provincial ao núncio apostólico de Portugal, porque "é um religioso que por seus costumes e por sua exemplaríssima vida serve de honra e de consolação a todos os seus Irmãos, e todo o Povo daquela Capitania de São Paulo, Senado da Câmara e o mesmo Bispo Diocesano o respeitam como um varão santo".
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Em 1808, pela estima que gozava dentro de sua ordem, foi-lhe confiado o cargo de visitador geral e presidente do capítulo, mas devido a seu estado de saúde foi obrigado a renunciar. Em 1811, a pedido do bispo de São Paulo, fundou o recolhimento de Santa Clara em Sorocaba, no estado de São Paulo. Quando as forcas impediram o ir-e-vir diário do convento de São Francisco ao recolhimento, obteve dos seus superiores (bispo e guardião) a autorlzação para ficar no recolhimento da Luz.

Durante sua última doença, Frei Antonio passou a morar num "quartinho" (espécie de corredor) atrás do tabernáculo, no fundo da igreja. Terminou sua vida terrena aos 23 de dezembro de 1822, pelas 10 horas da manhã, confortado pelos sacramentos e assistido pelo seu padre guardião, dois confrades e dois sacerdotes diocesanos. Frei Galvão, a pedido das religiosas e do povo, foi sepultado na igreja do recolhimento que ele mesmo construirá. 2. Mensagem e atualidade Frei Antônio de Sant'Anna Galvão foi definido pela Câmara de São Paulo como «o homem da paz e da caridade", por urna inspiração do Espírito Santo. E esta definição constitui a marca da vida do beato.
A coleta bem como as demais orações da liturgia da missa em honra de Frei Galvão sublinham estas duas grandes virtudes, que brilharam na vida e na obra do Santo Antônio Galvão.
Desde pequeno foi iniciado ainda pela mãe a ajudar os pobres de Guaratinguetá, pois dona Izabel, ao morrer, havia deixado todas as suas vestes para os pobres. O pai, Antônio, sempre foi solícito pelos mais necessitados. Portanto, aprendera em família a amar os prediletos de Deus.
A caridade de Frei Galvão brilhou, sobretudo, como fundador do mosteiro da Luz, pelo carinho com que formou as religiosas e pelo que deixou nos estatutos do então recolhimento da Luz. São páginas que tratam da espiritualidade, mas em particular da caridade de como devem ser vivida a vida religiosa e tratadas as pessoas de dentro e de fora do "recolhimento". "Foi frade de muita caridade, foi frade de muita vida espiritual, antes de tudo", escreveu Frei Henrique Golland Trindade, mais tarde bispo de Botucatu, SP Além desse testemunho, ternos o depoimento das religiosas mais antigas do recolhimento da Luz, que afirmam: "Amava os pobres e muitas vezes pagava as suas dividas. Mesmo de noite ia visitar os doentes e procurava animar e consolar os aflitos"
Fama de santidade
Sobre a fama de santidade de Frei Galvão, fala com ardor e autoridade a Irmã Célia Cadorin, postuladora da sua causa de canonização, em declarações à Revista Arautos do Evangelho.
Ela ressalta ser indispensável que a fama de santidade de um candidato aos altares seja evidenciada na vida, na morte e depois da morte. Para este efeito, ela esquadrinhou os arquivos da Prefeitura de São Paulo, do Instituto Histórico, da Cúria provincial dos franciscanos e, sobretudo, do Mosteiro da Luz. Não faltaram as provas e documentos.
"O processo inteiro comportou quase 10 mil páginas, contendo um relato sintético de mais de 8 mil graças alcançadas", explica Irmã Célia. E, dentre os documentos anexados, cita como exemplo uma ata contemporânea do Santo, da Câmara de São Paulo, na qual se diz: "Este homem é preciosíssimo a toda esta cidade e vila da Capitania de São Paulo. É um homem religiosíssimo e de prudente conselho.
Todos acodem a fazer-lhe pedidos. É um homem de paz e caridade".
O Mosteiro de Nossa Senhora da Luz
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Mas, se 
quisermos citar a maior obra de sua vida, que marcaria para sempre a grande cidade de São Paulo, devemos falar do Mosteiro de Nossa Senhora da Luz. De tal maneira Frei Galvão ligou sua existência ao novo mosteiro, que não podemos mencionar essa instituição sem que o seu nome nos venha logo à memória; bem como não podemos nos referir ao santo religioso sem nos lembrarmos desse convento.


Frei Galvão recebeu, no início de suas incumbências sacerdotais, três encargos: o de pregador da ordem franciscana, o de porteiro - que o tornou muito conhecido - e o de confessor do Recolhimento de Santa Teresa, onde viviam algumas monjas. Era o único estabelecimento de religiosas então existente em São Paulo. Chamava-se "recolhimento" porque naqueles tempos de perseguição religiosa o termo "mosteiro" era imprudente perante o governador.
Nessa singela comunidade que Frei Galvão passou a dirigir, vivia uma alma eleita: Irmã Helena Maria do Sacramento. A essa devota freira foi revelado ser desejo de Deus que Frei Antônio de Sant'Ana Galvão fundasse um novo convento na cidade de São Paulo. Caso perigoso e delicado! Por um lado, havia proibição formal da parte do Marquês de Pombal de receber noviços em qualquer instituição, sob pena de morte; e por outro, a natureza daquela revelação seria posta à prova por muitos. O próprio Santo refletiu longamente, consultou os canonistas e, sobretudo, analisou aquela alma. Sua conclusão foi: é de fato um desejo inspirado, fundemos o novo convento.Escolheu-se o Campo da Luz, onde havia já uma antiga capelinha dedicada a Nossa Senhora da Luz, numa região totalmente despovoada e não distante do rio Anhembi. Começou, a partir daí, um calvário de dissabores e provações que para o Santo se traduziam em provas visíveis de ser este o desígnio de Deus. A pequena comunidade que ali passou a viver em instalações provisórias sofreu de tudo: o mandado de que fosse extinto o Recolhimento, a fome e a miséria que quase as levaram à morte, a privação da assistência de Frei Galvão até passar a tormenta... Mas o Senhor queria "construir a casa sobre a rocha" e, na raiz dessa heróica fundação, era necessário o sofrimento de todos.
Por fim, depois de obtidas as devidas licenças, Frei Galvão iniciou a construção do belo mosteiro que se mantém em suas linhas gerais tal qual o vemos hoje.
O filho do Capitão-Mor de Guaratinguetá tornou-se mendigo pela obra de Deus. Angariou fundos e operários para a construção, fez longas e penosas viagens - sempre a pé -, divulgando e mobilizando a população a contribuir para causa tão nobre. As doações chegavam, mas não bastavam... Em uma palavra, ele próprio foi a pedra angular dessa casa de Maria Santíssima e de seu Divino Filho, chegando a trabalhar pessoalmente naquele rude ofício. Mas... que consolação!
De seu sofrimento brotaram inúmeras vocações, que não tardaram em apresentar-se, e o Mosteiro de Nossa Senhora da Luz logo ficou conhecido como "um viveiro de santas", formadas nas luminosas vias indicadas por seu fundador. Quantas graças para a salvação das almas não terão sido obtidas através dos sacrifícios oferecidos por essas virgens consagradas?
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As "pílulas" de Frei Galvão
Entre as numerosas graças recebidas pela intercessão de Frei Galvão destacam-se, pela simplicidade e pela maravilhosa confiança na Mãe de Deus que encerram, as pílulas miraculosas.
Esse costume tão característico de nosso Santo - ininterruptamente seguido por milhares de fiéis desde quando ele era vivo até os dias de hoje - comprova, pelas graças e feitos portentosos que opera, não ser uma mera crença popular. A Irmã Célia Cadorin explica a origem das pílulas.
Diz a história que certo dia apresentaram a Frei Galvão um moço com muitas dores, sem poder expelir uns cálculos renais. O santo religioso movido de compaixão, depois de rezar teve uma súbita inspiração. Escreveu em três papelinhos a seguinte frase do ofício da Santíssima Virgem Maria: "Post partum Virgo inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis", ou seja: "Depois do parto, ó Virgem, permanecestes intacta; Mãe de Deus, intercedei por nós".
Enrolou os papeizinhos em forma de pílula e deu ao jovem para que os tomasse como remédio. Logo depois o moço expeliu um grande cálculo e ficou curado. Mais tarde um homem aflito procurou Frei Galvão, dizendo que sua esposa, que ia dar à luz, estava muito mal. Novamente ele se lembrou do versículo do ofício de Nossa Senhora escreveu, enrolou e mandou as pílulas para a mulher. Depois de tomá-las, ela deu à luz sem nenhum problema.
Estes e outros fatos se propagaram rapidamente e os pedidos dos célebres papelinhos, ou pílulas, ficaram muito freqüentes.
Frei Galvão ensinou às irmãs do Recolhimento a fazerem pílulas, de modo que, mesmo em sua ausência, as pudessem dar às pessoas que viessem pedir na portaria do Convento.
No início as pílulas eram procuradas sobretudo pelas parturientes. Com o tempo, porém, começaram a ser usadas por quem sofria de enfermidades diversas, de modo especial problemas renais, cálculos ou pedras nos rins. E até para a conversão de pecadores. Hoje em dia são solicitadas por homens, mulheres e jovens que nas doenças - principalmente câncer - ou em dificuldades de toda espécie, invocam a intercessão do servo de Deus e as tomam com fé.
Animam suam in manibus suis semper tenens
A morte colheu Frei Galvão na mesma serenidade que conservou durante a vida e seus últimos dias foram uma expressão fiel do altíssimo grau de santidade que ele havia atingido.
Entregou sua alma a Deus no dia 23 de dezembro de 1822, quando contava 84 anos, numa pobre cela atrás da capela do mosteiro por ele construído. Se quisermos definir a vida deste perfeito filho de São Francisco, não encontraremos melhores palavras que aquelas figuradas em seu epitáfio no Mosteiro de Nossa Senhora da Luz: "Animam suam in manibus suis semper tenens". Sempre teve a sua alma nas mãos. Com efeito, depois do pecado cometido por nossos primeiros pais, o gênero humano perdeu aquela completa harmonia de todas as suas inclinações, que era o dom de integridade.
Reduzidos à dura prova de lutar contra si mesmos mais do que contra qualquer adversidade de sua existência, os homens passaram a depender em maior grau da graça divina do que de suas próprias forças, porque já não encontravam em sua natureza o antigo estado de perfeição. É precisamente nessa docilidade à vontade da Providência em detrimento da sua própria que brilhou a santidade de Frei Galvão: flexível ao sopro do Espírito Santo, esqueceu-se por completo de si mesmo e sepultou as suas deliberações no Coração do Divino Mestre.
Daí lhe veio a incomum virtude da fortaleza à qual ninguém resistia: era amado pelo povo, respeitado pelas autoridades, obedecido pelas religiosas, procurado pelas crianças.
Com quanta razão disse Santo Agostinho: "É necessário que a mente sejamais poderosa que a paixão, e a domine. Quanto mais uma virtude for nobre e sublime, mais ela será forte e invencível. Nenhuma alma viciada pode dominar outra munida de virtudes" (1).
Ao receber a merecida honra dos altares, queira Santo Antônio de Sant'Ana Galvão continuar prodigalizando tantos favores quanto os que já tem obtido para a nação que ele tanto desejou ver firme na fé. Feliz o Brasil por ter tal filho! Feliz a Igreja por ter tal Santo! ² 1) O livre-arbítrio, Paulus, São Paulo, 1995, pp. 48-49
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A devoção de Nossa Senhora aos olhos de São Luís Grignion de Montfort

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São Luís Maria Grignion expõe em sua esplêndida obra, o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, no que consiste a perfeita devoção a Nossa Senhora, além de despertar uma devoção mais ardente e fervorosa.
Na introdução de seu livro, o santo mostra como Nossa Senhora tem sido desconhecida pela humanidade e que é esta uma das razões por que Jesus Cristo não é conhecido como deve ser.
A ideia central dos escritos é de que Maria Santíssima, ainda desconhecida, deve ser conhecida, e, sendo conhecida, virá o reino de Cristo. O livro destina-se, pois, a propagar a devoção a Nossa Senhora para que venha o reino de Cristo. Trata-se, portanto, de uma obra de larga visão e de alcance histórico muito amplo, fixando-se no desejo de trazer o reino de Cristo para um mundo que não o possui, fazendo-o preceder em certo sentido pelo reinado de Maria Santíssima.
Foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, esta é a razão teológica pela qual São Luís demonstra que o Reino de Cristo será antecedido pelo reinado de Nossa Senhora, portanto, a devoção a Jesus Cristo deve vir ao mundo por intermédio de Maria Santíssima. Espalhar a devoção a Maria Santíssima é, pois, nesta perspectiva, a maior obra a que um homem pode aspirar.
São Luís Grignion, propõe-se a preparar o futuro reino de Cristo, fazendo o que lhe parece ser o mais essencial, o mais importante, o mais urgente, o que produzirá quase que automaticamente o resto: espalhar a perfeita devoção a Maria.
Agrande lição que São Luís fixa já no início do "Tratado" e desenvolve mais longamente depois, é a de que na formação religiosa é condição básica e indispensável a devoção a Nossa Senhora. Não se formando esta devoção, o próprio regime de expansão da graça na alma fica comprometido, e nada será possível conseguir. Portanto, a devoção a Ela é condição necessária para tudo quanto diz respeito à salvação.
São Luís Grignion tinha, pois, em mente, com este livro, uma obra da mais alta importância para a renovação dos séculos futuros. A nós cabe, portanto, ser sôfregos em possuir esta devoção a Nossa Senhora por ele pregada. Se ela é, como vimos, indispensável para que o mundo se regenere em Nosso Senhor, e se queremos com este escopo trabalhar, é necessário ir em busca desta devoção.
O Tratado da Verdadeira Devoção não é, pois, um livro qualquer de piedade, apresentando uma devoção a algum santo, boa por certo, mas que se pode ou não, indiferentemente, ter. A devoção a Nossa Senhora é uma devoção essencial, "conditio sine qua non" para nossa vida. E a poderemos atingir no mais alto grau com a forma e com os fundamentos desenvolvidos por São Luís Grignion de Montfort.
Não se deve pensar que esta devoção é um estilo de santidade inaugurado por São Luís Grignion. A devoção especialíssima e intensíssima a Nossa Senhora é característica de todos os santos. E, embora não se possa dizer que todos a tenham levado ao ponto a que a levou São Luís, estudando a vida de piedade de qualquer deles notamos sempre uma devoção ardentíssima a Ela, que é a dominante logo abaixo do culto a Deus Nosso Senhor.
Ela, contudo, se reveste em cada um de aspectos particulares; é raro neste sentido encontrar alguém que não tenha encontrado um aspecto novo de piedade em relação a Nossa Senhora. E não há um só que não conheça dever à intercessão d'Ela, não só o seu progresso espiritual, mas até mesmo a sua perseverança. Todos passam por duras provas espirituais, das quais se veem livres por uma intervenção especial d'Ela.
Estas afirmações não devem ficar no vácuo; é preciso sabermos aplicá-las concretamente em nossa vida espiritual: nas dificuldades, nos problemas, nas lutas. É preciso lembrarmo-nos de que Nossa Senhora é a onipotência suplicante, e termos n'Ela uma confiança ilimitada. Mas nem sempre a temos tão arraigada no espírito quanto desejaríamos.
Imaginemos, por exemplo, que Deus aparece à nossa mãe terrena e lhe dá a possibilidade de nos fazer todo o bem que quiser; ficaríamos, evidentemente, radiantes, pois, tudo conseguiríamos com facilidade. Ora, Nossa Senhora nos ama imensamente mais do que todas as mães terrenas reunidas amariam seu filho único...
Sejamos então ousados em nossos pedidos, e peçamos com confiança.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Florianópolis (Terça-Feira, 05-10-2010, Gaudium Press) "Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida!". É com essa saudação que o arcebispo metropolitano de Florianópolis (SC), Dom Murilo Krieger, inicia o seu mais recente artigo, intitulado "Aparecida: a Mãe de um povo". Ele ainda lembra que este canto é elevado aos céus muitas vezes, todos os dias, em grandes igrejas, em pequenas grutas e em humildes casas. No entanto, em nenhum outro lugar essa saudação tem tanta força e sentido como em Aparecida.
O prelado afirma que poucos santuários marianos têm uma história tão simples como o de Aparecida. E relembrando um pouco o início dessa história, lembra como, em 1717, três pescadores lançavam as redes nas águas do Rio Paraíba e, de repente, encontraram um corpo e, depois, a cabeça de uma pequena imagem de cerâmica, enegrecida pelo lodo. Seguiu-se uma pesca abundante e, mais importante, começou naquela região um culto popular a Nossa Senhora da Conceição.
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A função maternal de Maria, em relação aos homens, de modo algum ofusca  a única mediação de Cristo"

"No início, os encontros de oração eram nas próprias casas dos pescadores; depois, em pequenas capelinhas e, com o tempo, em igrejas cada vez maiores. Multiplicaram-se as graças, aumentou sempre mais o número de romarias e a imagem passou a ser chamada carinhosamente de Aparecida", completa o arcebispo.
Dom Murilo faz questão de enfatizar que quando o Papa João Paulo II esteve em Aparecida, fez duas perguntas: "O que buscavam os antigos romeiros? O que buscam os peregrinos de hoje?" E naquela ocasião, ele mesmo respondeu: "Aquilo mesmo que buscavam no dia do Batismo: a fé e os meios de alimentá-la. Buscam os sacramentos da Igreja, sobretudo a reconciliação com Deus e o alimento eucarístico. E voltam revigorados e agradecidos à Senhora, Mãe de Deus e nossa" (04.07.80).
Outro fato mencionado e destacado pelo arcebispo, é que tempos atrás, alguém quebrou a imagem original de Nossa Senhora Aparecida, pensando, assim, destruir o culto mariano. E no meio de mil fragmentos foram encontradas, intactas, as duas mãos de Maria, unidas em oração. "O fato vale como um símbolo: as mãos postas de Maria no meio das ruínas são um convite a seus filhos para darem espaço em suas vidas à oração, ao absoluto de Deus, sem o qual tudo o mais perde sentido, valor e eficácia. O verdadeiro filho de Maria é um cristão que reza", ressalta o prelado, citando as palavras do Papa João Paulo II.
Por último, o arcebispo salienta que, em Aparecida, Maria é invocada como padroeira e mãe, e a função maternal de Maria, em relação aos homens, de modo algum ofusca ou diminui a única mediação de Cristo; antes, manifesta sua eficácia. Lá também o povo se une a Maria através de muitas expressões de fé: celebrações, orações, novenas, rosário. E depois levam para suas casas e comunidades o que ali aprendem.
"Levam o apelo para, em família, ler diariamente a Palavra de Deus e rezar o Terço; para participar intensamente da vida de sua paróquia e para se dedicar aos mais necessitados. Descobrem que, dessa maneira, Maria Santíssima poderá, com mais facilidade, conduzir cada família pelos caminhos de Jesus", conclui Dom Murilo.