quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Os Manuscritos do Mar Morto: Vida e Fé nos tempos bíblicos.

O Instituto Franklin e o Discovery Times Square fizeram um acordo de exclusividade com a Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) para a exposição Manuscritos do Mar Morto: Vida e Fé em tempos bíblicos.
Estreando em 28 de outubro no Discovery New York City de Times Square, esta nova exposição apresenta a mais completa coleção de artefatos antigos de Israel jamais organizada – incluindo uma das maiores coleções dos inestimáveis Manuscritos do Mar Morto de 2000 anos de idade e uma pedra de três toneladas do Muro das Lamentações de Jerusalém.
Após a sua estréia Nova York, a exposição vai viajar para o Instituto Franklin de Filadélfia onde permanecerá por 5 meses até maio de 2012.
Os Manuscritos do Mar Morto foram descobertos e desenterrados de cavernas na costa noroeste do Mar Morto entre 1947-1956.
Considerados entre as maiores descobertas arqueológicas do mundo, os Pergaminhos contêm as cópias mais antigas conhecidas da Bíblia hebraica.
A exposição  incluie partes dos livros bíblicos como Gênesis, Salmos, Êxodo, Isaías e outros.
Os artefatos e pergaminhos proporcionam um olhar cativante e intrigante para um dos períodos mais influentes da história – incluindo o surgimento do antigo Israel eo nascimento do judaísmo e do cristianismo na Terra Santa.
Os visitantes terão a oportunidade de ver muitos objetos recém-descobertos na Terra Santa juntamente com os Pergaminhos.
A exposição mostra mais de 500 objetos do Período bíblico ao Bizantino em Israel, muitos objetos são de recentes escavações arqueológicas em Jerusalém nunca foram exibidos antes.
Os objetos em exposição incluem restos de artigos religiosos, armas de guerra, esculturas em pedra, tecidos e belos mosaicos, juntamente com itens domésticos comuns, como jóias e cerâmicas.
Além disso, a exposição conta com uma recriação de uma parte do Muro das Lamentações incluindo uma pedra autêntica de três toneladas do Muro.

domingo, 13 de novembro de 2011

O que é o Magistério?

Sentado numa barca se encontrava o Divino-Mestre ensinando à multidão que, às margens do lago, escutava a serena e encantadora tonalidade da voz de Deus. Ali ensinava Ele por meio de muitas parábolas, entre elas a do semeador. “Disse Ele: Um semeador saiu a semear. E, semeando, parte da semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e a comeram. Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque a terra era pouco profunda. Logo, porém, que o sol nasceu, queimou-se, por falta de raízes. Outras sementes caíram entre os espinhos: os espinhos cresceram e as sufocaram. Outras, enfim, caíram em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um” (Mt 13, 4-8). O que simboliza essa semente? A Palavra de Deus (cf. Mt 13, 19), seja ela contida na Sagrada Escritura ou na Sagrada Tradição.o Divino-Mestre ensinando à multidão
Entretanto, será que Deus deixaria sua Palavra Eterna e Imutável, à mercê do Maligno – como alude essa parábola -  ou abandoná-la-ia num solo pedregoso ou entre os espinhos (cf. Mt 13,19-22), ficando assim exposta às inúmeras intempéries que os séculos produzem?
Foi justamente para preservar dos inúmeros males que sobreviria sobre ela, que preparou uma terra boa e fértil que, acolhendo a sã semente, rendesse frutos “cem por um, sessenta por um, trinta por um” (Mt 13,23). Esse solo fecundo se chamaMagistério da Igreja, que ouvindo e compreendendo, ensina aos demais a doutrina infalível. A sua altíssima missão é: proteger o seu Povo dos desvios e dos relaxamentos, e garantir-lhe a possibilidade objetiva de professar sem erro a fé autêntica[1]. O Magistério é um instrumento que nos garante estar de acordo com a doutrina dos Apóstolos, ensinada a eles pelo próprio Divino Mestre. Portanto, a obrigação do Magistério está em cuidar para que o Povo de Deus permaneça na verdade. Assim, “para executar este serviço, Cristo dotou os pastores do carisma de infalibilidade em matéria de fé e de costumes”[2].
Se não fosse o Magistério…
Sem o Magistério o grande e belo edifício da doutrina verdadeira ficaria sujeito à infiltração da heterodoxia[3] e assim, poderia misturar-se com o erro, um antro de confusão, de caos e de horror. A própria Igreja, fonte da luz e da união fraterna, seria um abismo de desordem e desunião. E, como consequência, deixaria de caminhar rumo ao cumprimento do desejo de Deus: que todos sejam um só coração e uma só alma (cf. 1Pd 3,8).
Imaginemos, por exemplo, uma grande cidade onde vivam milhões de pessoas. Podemos dizer que quase todos os habitantes possuem um relógio. Portanto, nessa cidade existem milhões de relógios. São inúmeros, mas não adiantariam de nada se não houvesse um relógio posto por Deus, chamado sol, pelo qual os homens pudessem saber a hora precisa. Os relógios particulares entram em desacordo, um adianta, outro atrasa. Por causa da soberba humana, a pessoa não quererá reconhecer que seu relógio está errado, e que o outro está certo. Desse modo aconteceria que, por falta do relógio infalível, segundo o qual todos os outros devem se regular, ninguém teria a hora correta. Esta imagem ilustra algo da mente humana: cada homem pensa à sua maneira. Argumentam, discutem, e acabam não se convencendo inteiramente. Ou há alguém capaz de determinar com acerto: “isto é tal coisa!”, ou ninguém acaba conhecendo a verdade.
Quando na Idade Média, a ciência havia progredido o bastante para que se pudessem fabricar relógios mecânicos, estes começaram a ser colocados nas torres dos templos católicos. Por isso, dizia-se com muita poesia que a Igreja indicava a hora certa do pensamento humano. Para Ela, todos se voltam acertando seus “relógios” individuais, quer dizer, suas mentes. Em matérias tão essenciais para nós, como Fé e moral, era necessário que houvesse alguém com a missão de ensinar e que não caísse em erro ao interpretar a Revelação. Esse é o “relógio” que regula a humanidade: o Magistério da Santa Igreja Católica Apostólica Romana[4]. Se o mundo o abandona, vai deixando-se invadir pelo desatino e por toda sorte de extravios. Por isso, é preciso que acreditemos firmemente naquelas definições que o Magistério da Igreja declara como sendo reveladas por Deus e como ensinamentos de Nosso Senhor[5].
“Quot caput tot setentia”
Papa Leão XIIIO Papa Leão XIII em poucas palavras comenta a necessidade de existir esse princípio ordenador de tudo: “se a doutrina celestial de Jesus Cristo, embora em grande parte esteja consignada em livros inspirados por Deus, tivesse sido entregue aos pensamentos dos homens não poderia por si mesma unir os espíritos”[6].
Este ensinamento do Papa, nos faz lembrar aquele velho provérbio tão comum aos nossos ouvidos: “Quot caput tot setentia” (cada cabeça uma sentença). Esse adágio nos dá a oportunidade para explicar o motivo pelo qual ao longo dos tempos foram surgindo várias seitas com o intuito de dar uma sentença certa – ou melhor, de acordo com seus interesses – às diversas passagens da Sagrada Escritura que poderiam parecer um pouco obscuras ou difíceis de serem interpretadas. Cada uma dessas ideias inusitadas e inauditas hauridas da livre interpretação pode ser comparada a uma cabeça com sentenças distintas das demais. Porém, acontece que Nosso Senhor é a única Cabeça de um único Corpo, e foi a este único Corpo que Ele entregou o múnus de ensinar.
Igreja, coluna e sustentáculo da verdade (Cf. 1Tm 3,15)
Por essa razão, o mais augusto e valioso dos tesouros, o patrimônio sagrado da fé, também chamado de “depositum fidei”, contido na Sagrada Tradição e na Sagrada Escritura, foi confiada pelos apóstolos à totalidade da Igreja[7]. “Mas para que o Evangelho sempre se conservasse inalterado e vivo na Igreja, os Apóstolos deixaram como sucessores os Bispos, entregando-lhes o seu próprio encargo de Magistério”[8]. A Igreja, portanto, tem a assistência do Espírito Santo, para guardar santamente, perscrutar mais profundamente, anunciar e expor com fidelidade toda a verdade revelada[9]. O Magistério é o eco da voz do Divino Mestre que continuamente fala aos homens e que se faz ouvir através da Igreja. E por isso, Nosso Senhor a fundou e a conservou: para transmitir-lhe a continuação da mesma missão que Ele recebeu de Deus Pai[10].
3rdFoi aos Doze Apóstolos que o Divino Mestre disse: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi” (Mt 28, 19,20). E ainda: “Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16).
Entretanto, não era somente às nações da época dos Apóstolos, que Nosso Senhor se referia ao dar o mandato de pregar o Evangelho. Pois Ele: “quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”(1Tm 2,4). Essa Sua vontade salvífica não admite nenhuma exceção e nem mesmo limitação por parte do tempo, e por isso prometeu: “estarei convosco até os fins dos tempos” (Mt 28,20).
Acerca disso, escreve São Jerônimo: “Quem promete estar com seus discípulos até a consumação dos séculos, mostra com isso que seus discípulos viverão sempre, e que Ele mesmo não cessará de estar com os crentes” [11]. Mas, acrescenta a EncíclicaSatis Cognitum: “como haveria de suceder isto unicamente com os apóstolos, cuja condição de homens lhes sujeitavam à lei suprema da morte? A Providência divina havia, pois, determinado que o Magistério instituído por Jesus Cristo não ficaria restringido aos limites da vida dos apóstolos, mas que duraria sempre”[12].
Caminho mais seguro
Deus depositou em nossos corações um anseio e uma sede pela verdade, que embora já começa a saciar-se aqui na Terra, só obterá sua plena satisfação na Visão Beatífica, onde veremos face a face Aquele que é a própria Verdade (Cf. Jo 14,6). Entretanto, aqui neste vale de lágrimas nem sempre a encontramos, e devido ao pecado original facilmente caímos no erro. Assim, a fim de que sem grandes dificuldades pudéssemos alcançá-la, Deus nos enviou Seu Filho para dar testemunho dela (Cf. Jo 18, 37) e depois fundou “a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15), para que Ela, exercendo sua autoridade em nome de Nosso Senhor, nos apresentasse a interpretação autêntica da palavra de Deus escrita ou transmitida[13].
O Magistério é, portanto, o caminho mais seguro para – juntamente com a Sagrada Escritura e a Tradição – subirmos aos tesouros inestimáveis de Deus, do qual somos filhos e herdeiros.

sábado, 5 de novembro de 2011

É preciso pertencer mais a Cristo, salienta Bento XVI


“É importante para todos, de fato, aprender sempre mais a 'permanecer' com o Senhor, cotidianamente, no encontro pessoal com Ele para deixar-se fascinar por seu amor e ser anunciadores do Seu Evangelho”, destacou o Papa Bento XVI, na noite desta sexta-feira, 4, ao celebrar as Vésperas com os estudantes da Universidade Pontifícia de Roma, pelo início do Ano Acadêmico.



Durante sua homilia, na Basília Vaticana, o Santo Padre salientou que é importante buscar seguir na vida com generosidade, não com um próprio projeto, mas aquele que Deus tem para cada um, conformando a própria vontade àquela de Deus. Ele reforçou ainda a necessidade de um bom preparo por meio de sérios estudos para servir o Povo de Deus.

Ao falar sobre a vocação sacerdotal, o Papa recordou que desde os primórdios da Igreja, foi evidenciado a importância dos sacerdotes como guias das comunidades, anunciadores da Palavra de Deus por meio da pregação e celebrantes do Sacrifício de Cristo, a Eucaristia. 

“Pastorar o rebanho de Cristo é um vocação e um dever comum e os torna particularmente ligados entre eles, porque estão unidos a Cristo com um vínculo especial”, destacou o Papa.

O modelo a ser seguido pelos sacerdotes é o próprio Cristo, o Bom Pastor. São Tomás de Aquino disse que “embora os líderes da Igreja sejam todos pastores, todavia, disse Ele de ser, de modo singular: 'Eu sou o Bom Pastor', para introduzir com delicadeza a virtude da caridade”. Assim, para São Tomás de Aquino não se pode ser de fato bom pastor se não tornamos uma coisa só com Cristo e seus membros mediante a caridade, pois a a caridade é o primeiro dever do bom pastor.


Vocação ao Sacerdócio


“A vocação apostólica vive graças ao relacionamento pessoal com Cristo, alimentada pela oração assídua e animada pela paixão em comunicar a mensagem recebida e a mesma esperança de fé dos Apóstolos”, salientou o Pontífice aos estudantes romanos.

Segundo o Papa, existem algumas condições para que haja uma harmonia crescente com Cristo na vida do sacerdote, entres estas, ele destacou três: a aspiração para colaborar com Jesus pela difusão do Reino de Deus, a gratuidade do empenho pastoral e a atitude do serviço.

“Antes de tudo, no chamado ao ministério sacerdotal existe o encontro com Jesus, que nos fascina, conquista por Suas palavras, por Seus gestos, por Sua pessoa. É distinguir, em meio a tantas vozes, a Sua voz, respondendo como Pedro “Tu tens as palavras de vida eterna e nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus” (Gv 6,68-69)”, destacou Bento XVI.

Para o Santo Padre, a vocação dos sacerdotes tem sua raiz nesta ação que Deus Pai realizada em Cristo, por meio do Espírito Santo. O ministro do Evangelho, então, é aquele que se deixa agarrar por Cristo, que sabe permanecer com Ele, que entra em sintonia, em íntima amizade, com Ele, a fim que tudo se cumpra segundo a Sua vontade de amor, com grande liberdade interior e com profunda alegria de coração.

“Em segundo lugar, são chamados a ser administradores dos Mistério de Deus 'não para o interesse vergonhoso, mas com um espírito generoso', disse São Pedro. Não é preciso esquecer jamais que se entra no sacerdócio por meio do Sacramento, a Ordenação, e isso significa, justamente, que se abre à ação de Deus escolhendo cotidianamente dar a si mesmo para Ele e para os irmãos, segundo o dito evangélico: 'Recebestes de graça, de graça daí!'(Mt 10,8), reforçou o Papa.

Bento XVI ressalta ainda que o chamado do Senhor ao ministério não é fruto de méritos particulares, mas é um dom a se acolher e ao qual se deve corresponder dedicando-se de modo generoso e desinteressado, segunda a vontade de Deus.

“Jamais devemos esquecer – como sacerdotes – que a única ascensão legítima em direção ao ministério pastoral não é aquela do sucesso, mas da Cruz”, reforçou.

Os sacerdotes são, de fato, como salientou o Pontífice, modelos para suas respectivas comunidades. Eles são também administradores dos meios da salvação, dos sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Penitência, mas não são por vontade própria, mas para serem humildes servidores para o bem do Povo de Deus.

“É uma vida, então, profundamente marcada por este serviço: cuidado atento ao rebanho, celebração fiel da liturgia e pronto serviço a todos os irmãos, especialmente aos mais pobres e necessitados. No viver esta 'caridade pastoral' sobre o modelo de Cristo e com Cristo, em qualquer lugar que o Senhor chama, cada sacerdote a realiza plenamente si mesmo e a própria vocação”, salientou o Santo Padre.

sábado, 10 de setembro de 2011

O Santíssimo Nome de Maria



O Nome  de Maria é nome de salvação para os regenerados, sinal de todas as virtudes, honra da castidade; é o sacrifício agradável a Deus; é a virtude da hospitalidade; é a escola de santidade; é, enfim, um nome completamente maternal 
(São Pedro Crisólogo)
O nome de Maria é como um bálsamo que corre agradavelmente sobre os membros dos enfermos e os penetra com eficácia. Ele é semelhante a este óleo que, por suas unções, reanima e suaviza, dá força, flexibilidade e saúde. Mais do que o nome de todos os Santos. O de Maria nos repousa de nossas fadigas, cura todos os nossos males, ilumina nossa cegueira, comove nosso endurecimento e nos encoraja em nossos desânimos. Maria é a vida e a respiração de seus servidores, a saúde dos enfermos, o remédio dos pecadores. Ricardo de São Vítor, interpretando estas palavras do Eclesiastes (VII, 2): "É melhor o bom nome do que os bálsamos preciosos", as aplica assim à Bem-aventurada Virgem: "O nome de Maria cura os males do pecador com maior eficácia do que a dos unguentos mais procurados; não há doença, por desastrosa que seja, que não ceda imediatamente à voz desse bendito nome".
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 O nome de Maria abre o coração de Deus
e põe todos os seus tesouros à disposição
da  alma que o invoca.
Nosso Divino Salvador, se não me engano, no-lo quis recomendar quando, ressuscitando dos mortos, o primeiro nome que aflorou em seus lábios foi o de Maria.
Com efeito, dirigindo-se à Madalena, a primeira a quem Ele aparecia após sua Ressurreição, disse-lha (Jo XX, 16): "Maria", para nos significar que o nome de Maria encerra a vida em si mesmo, e se harmoniza tão bem com a vida imortal, que merece ser o primeiro a sair da boca do Salvador, já em possessão da imortalidade. Esta reflexão é de Cesário, em sua bomilia sobre a Visitação.
Nome que desarma e abre o coração de Deus, em favor dos homens
E acrescentamos com o Pe. J. Guibert, que assim se expressa na sua Meditação para a festa do Santo Nome de Maria: "O nome de Maria desarma o coração de Deus. Não há pecador, por mais criminoso, que pronuncie em vão esse nome. Embora merecesse, por suas faltas, todas as cóleras do céu, ele se vê protegido como por inviolável pára-raios, logo que articule o nome de Maria.
A este nome, o perdão desce infalivelmente sobre as almas pecadoras, não porque tenha Ela o direito de concedê-lo, mas porque é onipotente para implorá-lo - Omnipotentia suppex. O nome de Maria abre o coração de Deus e põe todos os seus tesouros à disposição da alma que o invoca.
A História nos ensina que uma multidão de Santo caridosos fizeram voto de jamais recusar a esmola que lhes fosse pedida em tal ou tal nome. Assim que ouviam o nome amada, eles davam, davam sempre, até o último óbulo e até suas próprias vestimentas. O nome de Maria tem esse poder mágico sobre o coração de Deus. Deus Filho, Jesus Cristo, entrega tudo o que tem àqueles que Lhes estendem a mão em nome de sua Mãe; Deus Padre, fonte de toda riqueza, concede toda graça àqueles que mendigam diante dEle invocando o nome de sua Filha Bem-amada. (...)
Nome de salvação e de alegria
O nome de Maria é um nome salvador, sobretudo nos perigos de ordem moral. Quantas tentações por ele foram vencidas, quantos pecados evitados, quantos imundos corações purificados, quantas penosas confissões extraídas de almas que se cria para sempre fechadas!
É também um nome de consolação e de alegria. Ele dissipa a tristeza na alma que o pronuncia. Tendes medo de Deus e de seus julgamentos? Pensai em Maria e invocai seu nome: vossa confiança em Deus renascerá. Tendes medo dos homens, diante dos quais vos cobristes de vergonha e perdestes a reputação? Pensai em Maria e invocai seu nome: e não tereis mais receio de levantar os olhos diante de vossos semelhantes. Esmaga-vos o peso da humilhação ou da dor física? Pensai em Maria, invocai seu nome, e sereis aliviado. Tendes a horrível morte que rompe e põe fim a tudo? Pensai em Maria, invocai seu nome, e tereis coragem de aceitar esse supremo sacrifício.
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 "Este nome tem mais virtude do que todos os
nomes dos Santos para confortar os débeis,
curar os enfermos, iluminar os cegos, abrandar
os corações endurecidos, fortificar os que 
combatem, dar ânimo aos cansados e 
derrubar o poderio dos demônios"
Nome de força
O nome de Maria, enfim, é um nome de força. Quaisquer que sejam os inimigos que vos ameaçam, venham eles do Inferno, como o demônio que vos tenta; ou venham do mundo, como os adversários que vos perseguem, invocai o poderoso nome de Maria e a todos vencereis.
Quaisquer que sejam vossas próprias fraquezas, provenham elas do orgulho, da inveja, da sensualidade ou da preguiça, confiai vosso débil coração à solicitude da Virgem, invocai o poderoso nome de Maria, e vos vencereis a vós mesmos.
Precioso tesouro da Santíssima Trindade
Recolhendo opiniões dos santos Doutores sobre o nome de Maria, traça São João Eudes esta admirável síntese:
"O nome de Maria, diz Santo Antônio de Pádua, é júbilo para o coração, mel na boca e doce melodia no ouvido."
"Bem-aventurado o que ama vosso nome, ó Maria (é São Boaventura quem fala), porque este santo nome é uma fonte de graça que refresca a alma sedenta e a faz produzir frutos de justiça."
"Ó Mãe de Deus, diz o mesmo Santo, que glorioso e admirável é vosso nome. O que o leva em seu coração se verá livre do medo da morte. Basta pronunciá-lo para fazer tremer a todo inferno e por em fuga a todos os demônios. O que deseja possuir a paz e a alegria do coração, que honre vosso santo nome."
"O nome de Maria, diz São Pedro Crisólogo, é nome de salvação para os regenerados, sinal de todas as virtudes, honra da castidade; é o sacrifício agradável a Deus; é a virtude da hospitalidade; é a escola de santidade; é, enfim, um nome completamente maternal."
"Ó amabílissima Maria, exclama também São Bernardo, vosso santo nome não pode passar pela boca sem abrasar o coração! Os que Vos amam não podem pensar em Vós, sem um consolo e um gozo muito particulares. Nunca entrais sem doçura na memória dos que Vos honram."
"Ó Maria, diz o Santo Abade Raimundo Jordão, o chamado Idiota, a Santíssima Trindade Vos deu um nome que, depois do de vosso Filho, está acima de todos os nomes; nome a cuja pronunciação devem dobrar o joelho todas as criaturas do Céu, da terra e do Inferno, e toda língua confessar e honrar a graça, a glória e a virtude do santo nome de Maria. Porque, depois do nome de vosso Filho, não há quem seja tão poderoso para nos assistir em nossas necessidades, nem de quem devamos esperar mais os socorros que necessitamos para nossa eterna salvação."
"Este nome tem mais virtude do que todos os nomes dos Santos para confortar os débeis, curar os enfermos, iluminar os cegos, abrandar os corações endurecidos, fortificar os que combatem, dar ânimo aos cansados e derrubar o poderio dos demônios" (...).
"Ouçamos a São Germano de Constantinopla: "Como a respiração, diz, não só é o sinal como também a causa da vida, assim quando vedes cristãos que tem com frequência o santo nome de Maria na boca, é sinal de que estão vivos com a verdadeira vida. O afeto particular que se tem a este sagrado nome, dá vida aos mortos, a conserva nos vivos, e os enche de gozo e de benção."
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 O nome de Maria é um nome salvador, sobretudo  
nos perigos de ordem moral. Quantas tentações
por ele  foram vencidas, quantos pecados 
evitados,  quantos imundos corações   
purificados, quantas penosas confissões
extraídas  de almas que se cria
para sempre fechadas!
Numa palavra, quem diz Maria, diz o mais precioso tesouro da Santíssima Trindade, como afirma Orígenes. Quem diz Maria, diz o mais admirável ornamento da casa de Deus. Quem diz Maria, diz a glória, o amor e as delícias do Céu e da Terra.
Nome terrível para os demônios
Concluímos com estas fervorosas palavras do venerável Tomás de Kempis, a respeito do glorioso nome da Mãe de Deus:
Os espíritos malignos tremem ante a Rainha dos Céus, e fogem como se corre do fogo, ao ouvir seu santo nome. Causa-lhes pavor o santo e terrível nome de Maria, que para o cristão é um extremo amável e constantemente celebrado.
Não podem os demônios comparecer nem poder por em jogo suas artimanhas onde vêem resplandecer o nome de Maria. Como trovão que ressoa no céu, assim caem derrubados ao ouvirem o nome de Santa Maria. E quanto mais amiúde se profere este nome, e mais fervorosamente se invoca, mais céleres e para mais longe escapam.
Nome a ser continuamente invocado
De outro lado, os Santos Anjos e os espíritos dos justos se alegram e se deliciam com a devoção dos fiéis, ao verem com quanto afeto e frequência celebram estes a memória de Santa Maria, cujo glorioso nome aparece em todas as igrejas do orbe, que tem especialmente consagradas a seu louvor. E é justo e digno que acima de todos os Santos seja honrada na Terra a Mãe de Deus, a quem os Anjos veneram todos a uma só voz, com sublimes cânticos.
Seja, pois, o nome de Maria venerado por todos os fiéis, sempre amado pelos devotos, vinculado aos religiosos, recomendado aos seculares, anunciado pelos pregadores, infundindo aos atribulados, invocado em toda sorte de perigos. É desejo de Deus que os homens amem a Nossa Senhora.
É desejo de Deus que os homens amem a Nossa Senhora
Devemos amar a Santíssima Virgem - escreve Santa Antônio Maria Claret - porque Deus o quer. (...) Ele próprio nos dá exemplo e nos incita a amar a Maria: O Padre Eterno A escolheu por Filha sua muito amada; o Filho Eterno A tomou por Mãe, e o Espírito Santo, por Esposa. Toda a Santíssima Trindade A coroou como Rainha e Imperatriz do Céu e da terra, e A constituiu dispensadora de todas as graças (...)
Devemos amar a Maria Santíssima porque Ela o merece, pelo cúmulo de graças que recebeu sobre a Terra, pela eminência da glória que possui no Céu, pela dignidade quase infinita de Mãe de Deus a que foi exaltada, e pelas prerrogativas inerentes a esta sublime dignidade. (...) Devemos amar a Maria Santíssima e ser seus devotos verdadeiros, porque a devoção a Ela é um meio poderosíssimo para alcançar a salvação.
Bem-aventurados os que amam a Maria
Feliz, feliz aquele que Vos ama, ó Maria, Mãe dulcíssima" - exclama Santo Afonso de Ligório. São João Berchmans, da Companhia de Jesus, costumava dizer: Se amo a Maria, estou certo da minha perseverança e de Deus obtenho tudo o que quiser. Renovava por isso sem cessar este propósito: Quero amar a Maria, quero amá-La sempre.
Oh! como esta boa Mãe excede em amor a todos os seus filhos! Amem-Na estes quanto puderem, sempre serão vencidos pelo amor que lhes consagra Maria, observa Pseudo-Inácio, mártir.
Tenham-lhe a mesma ternura de amor com que A tem amado tantos de seus servos, que já nem sabiam o que mais fazer como prova muito que Lhe bem-queriam. (...)
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 O nome de Maria cura os males do pecador com maior 
eficácia do que a dos unguentos mais procurados; não 
há doença, por desastrosa que seja, que não ceda
imediatamente à voz desse bendito nome".
Estava uma vez ao pé de uma imagem de Maria o Venerável Afonso Rodriguez, da Companhia de Jesus. Abrasado de amor para com a Santíssima Virgem, disse-lhe: Minha Mãe amabilíssima, bem sei que Vós me amais; mas Vós não me quereis tanto quanto eu Vos amo. Então, Maria, como que ofendida em seu amor, lhes respondeu: Que dizes, Afonso, que dizes? Oh! Quanto é maior o meu amor por ti do que o teu por Mim! Sabe, lhe disse, que do meu amor ao teu há mais distância do que do céu à Terra.
Tem, pois, razão São Boaventura ao exclamar: Bem-aventurados aqueles que tem a felicidade de ser fiéis servos e amantes desta Mãe amantíssima! Sim, porque esta gratíssima Rainha não admite que em amor A vençam os seus devotos servidores. Maria, imitando nisto a Nosso Senhor Jesus Cristo, com seus benefícios e favores dá a quem A ama o seu amor duplicado.
Ao amor de Mãe, deve corresponder nosso amor de filhos
Sendo assim, ao amor de Mãe que nos tem Maria, devemos corresponder com nosso amor de filhos. Pois é justo que nosso coração se mostre conquistado pelo seu. Se nós A amamos, devemos nos comprazer com sua lembrança, falar dEla com agrado e obedecê-La com diligência (...)
Devemos nos esforçar por imitá-La. A mais bela homenagem que um filho pode render à sua mãe é de lhe reproduzir os traços em sua própria conduta. Que nosso coração, portanto, seja semelhante ao de Maria. Antes de tudo, que ele seja puro como o dEla; evitemos, pois, a imundície do pecado. Que nosso coração seja bom e terno como o dEla; compassivo, acolhedor, benévolo, generoso. Portanto, que nada exista de duro em nossos pensamentos nem em nossas palavras, em relação ao nosso próximo.
Enfim, que nosso coração seja forte, como o dEla, indomável quando se trata da salvação das almas, não abandonando jamais o terreno, quando nos tenha sido confiado o regate de uma alma, trabalhando para isto com o perigo de nossa própria vida. Portanto, nada dessas timidezes que se recusam a abordar as almas, nada de covardias que recuam diante dos dificuldades.
(Clá Dias, João - Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado, Artpress, São Paulo, 1997, p. 299 à 304)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Teólogo protestante quer que o Papa seja porta voz dos cristãos


Reconhecido teólogo protestante institui projeto para que o Papa seja porta voz dos cristãos em situações extraordinárias

O teólogo protestante Reinhard Frieling defende que o Papa Bento XVI seja nomeado líder honorário de todos os cristãos do mundo.
“O sonho da comunhão entre todos os cristãos pode se tornar realidade se os protestantes oferecerem ao papa o papel de chefe honorário da cristandade”, declarou Reinhard, ex-líder do Institute Kundlichen, de Bensheim, que também é professor emérito da Universidade de Marburg. Para ele, o Papa poderia “falar em nome da cristandade em situações extraordinárias”. Ele argumentou que uma liderança comum daria mais crédito ao cristianismo como mensagem.
Se a proposta se viabilizar, o aniversário de 500 anos da reforma protestante, em 2017, poderá ser a ocasião certa para concretizar a visão, baseada em sua opinião do Papa já ser o “porta-voz para todos os cristãos.”
O teólogo protestante sugere que as igrejas da Reforma abandonem sua auto-suficiência e assumam as “corajosas consequências ecumênicas”.
Essa proposta lembra uma outra que já foi feita há dez anos pelo bispo Johannes Friedrich, da Igreja Luterana da Baviera. Friedrich argumentava que o papa poderia ser aceito como porta-voz do cristianismo mundial, como serviço ecumênico de unidade..
Uma visita do Papa a Alemanha está prevista para os dias 22 a 25 de setembro de 2011, e inclui as cidades de Freiburg e Berlim, com um discurso diante do Bundestag, o Parlamento alemão, e uma reunião com representantes da Igreja Evangélica na Alemanha (EKD) no Mosteiro Agostiniano de Erfurt.

sábado, 3 de setembro de 2011

Gregório Magno por Yves Congar


Um espiritual
Yves Congar
(Unam Sanctam 38, c. VI. P. 158s)De São Basílio a São Gregório Magno, religioso ou não, o bispo é um espiritual, um homem de Deus.
As partes mais antigas do ritual das ordenações enunciam mais deveres do que poderes. O bispo é votado ao estudo assíduo da Sagrada Escritura, à oração, ao jejum, à hospitalidade, ao dever de receber, de escutar e de ajudar a todos, à esmola, enfim. Ele edifica seu povo pela palavra e pela celebração litúrgica, e nisso ele tem consciência de exercer mais um ministério do que um poder. É Deus que é o agente primeiro e soberano desta edificação da Igreja. “Deus revelou, Deus inspirou”…
Assim, uma autoridade “espiritual” se exercia na autoridade hierárquica, uma autoridade pastoral segundo o ideal do “servir presidindo”de Santo Agostinho. Os homens o sentiam, mesmo que ainda não fossem cristãos. O bispo representava todo um ideal de interesse pelos homens, de justiça, um ideal essencialmente moral de autoridade. Vemo-lo realizado num Ambrósio, num Agostinho, num Gregório Magno. O autor da Regra Pastoral foi um exemplo concreto de exercício da autoridade como homem espiritual. Não somente ele viveu o seu ideal de juntar santificação pessoal e exercício de ministério, mas soube exercer a autoridade suprema “cristãmente”.
 Que é isto? É, primeiro, exercer a autoridade num verdadeiro espírito de serviço e, pois, num sentimento não afetado de humildade.
As fórmulas “Servo dos servos de Deus” ou “Servo dos sacerdotes” não foram para Gregório simples clausuras de chancelaria. Para lá do exercício da autoridade, e nesse serviço mesmo, ele tinha o cuidado efetivo do bem dos homens aos quais comandava. Ele amava, respeitava a sua livre ascensão para o bem; tinha a preocupação de lhes explicar as razões das suas decisões em função dum bem, duma verdade, cujo instinto eles tinham no fundo da alma.
Em suma, ele exercia a autoridade à maneira duma espécie de Abade universal, misturando a ternura de mãe e a autoridade de pai. É que a sua Igreja não era uma grande “organização”, um “sistema”, mas uma comunidade de homens que tendem à perfeição da caridade. Nem todos os papas seguiram este caminho. Mas os grandes bispos dos séculos que chamamos “catolicismo monástico”, guardaram vivamente a referência da autoridade ao seu princípio espiritual.